Jejum e abstinência: o que a Igreja ensina

Durante a Quaresma, muitas dúvidas surgem entre os fiéis sobre jejum e abstinência. O que exatamente a Igreja Católica ensina sobre essas práticas? Quem é obrigado a jejuar? Em quais dias a abstinência de carne é obrigatória? E, principalmente, qual é o verdadeiro sentido espiritual dessas orientações?

Mais do que simples regras alimentares, o jejum e a abstinência fazem parte de um caminho espiritual profundo, que ajuda o cristão a viver a Quaresma com mais consciência, fé e conversão interior.


O que é jejum segundo a Igreja Católica?

O jejum, de acordo com a Igreja Católica, consiste em reduzir voluntariamente a quantidade de alimento consumido durante o dia, como forma de penitência e disciplina espiritual.

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Na prática, o jejum permite:

  • Uma refeição completa no dia
  • Duas refeições leves, que juntas não equivalem a uma refeição principal

O objetivo do jejum não é prejudicar a saúde, mas ajudar o fiel a exercitar o autocontrole, a humildade e a confiança em Deus.


O que é abstinência?

A abstinência refere-se à privação do consumo de carne, especialmente a carne vermelha, como forma de penitência. Diferente do jejum, a abstinência não está ligada à quantidade de alimento, mas ao tipo de alimento consumido.

A abstinência de carne é uma prática tradicional da Igreja, que recorda o sacrifício de Jesus Cristo e convida o fiel a viver a simplicidade e a renúncia.


Qual é a diferença entre jejum e abstinência?

Embora muitas pessoas confundam os dois termos, jejum e abstinência não são a mesma coisa.

  • Jejum: redução da quantidade de comida
  • Abstinência: renúncia ao consumo de carne

Em alguns dias específicos, como a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira Santa, a Igreja pede que os fiéis pratiquem ambos: jejum e abstinência.

Pode ser mudada a prática da Abstinência?

“A Conferência Episcopal pode determinar com mais detalhes o modo de observar o jejum e a abstinência, assim como substituirmos em parte por outras formas de penitência, sobre tudo por obras de caridade e práticas de piedade.” (Código de Direito Canônico, c. 1253).


Em quais dias o jejum é obrigatório?

Segundo a disciplina da Igreja Católica, o jejum é obrigatório em dois dias do ano litúrgico:

  • Quarta-feira de Cinzas
  • Sexta-feira Santa

Esses dias marcam momentos importantes da Quaresma e da Paixão de Cristo, convidando o fiel a um recolhimento mais profundo.


Em quais dias a abstinência é obrigatória?

A abstinência de carne é obrigatória:

  • Todas as sextas-feiras da Quaresma
  • Quarta-feira de Cinzas
  • Sexta-feira Santa

Em muitos lugares, a Igreja também recomenda a abstinência em todas as sextas-feiras do ano, como sinal contínuo de penitência, embora essa prática possa ser substituída por outro gesto penitencial fora da Quaresma.


Quem é obrigado a jejuar e a praticar abstinência?

A Igreja estabelece orientações claras sobre quem deve cumprir essas práticas:

  • Jejum: fiéis entre 18 e 59 anos, salvo motivos de saúde
  • Abstinência: fiéis a partir dos 14 anos

Pessoas doentes, idosos, gestantes ou que tenham restrições médicas estão dispensadas dessas obrigações, pois a Igreja valoriza a vida e a saúde acima de qualquer prática externa.


Qual é o verdadeiro sentido espiritual do jejum e da abstinência?

O sentido do jejum e da abstinência vai muito além da comida. Essas práticas ajudam o cristão a:

  • Desenvolver o autocontrole
  • Combater o egoísmo
  • Reconhecer a própria fragilidade
  • Abrir o coração à oração e à caridade

A Igreja ensina que não adianta jejuar do alimento se não se jejua do pecado, da indiferença e das atitudes que ferem o próximo.


Jejum, abstinência e caridade

Um ponto essencial do ensinamento da Igreja é que o jejum e a abstinência devem estar sempre ligados à caridade. O sacrifício pessoal ganha sentido quando se transforma em amor ao próximo.

Por isso, a Quaresma é um tempo privilegiado para:

  • Ajudar quem passa necessidade
  • Praticar obras de misericórdia
  • Partilhar o que se tem com os mais pobres

Como viver bem o jejum e a abstinência hoje?

Para viver corretamente essas práticas, a Igreja orienta que o fiel:

  • Tenha intenção sincera de conversão
  • Evite o legalismo excessivo
  • Una o sacrifício à oração
  • Busque coerência entre fé e atitudes

Jejuar apenas por obrigação perde o sentido. O verdadeiro valor está na transformação interior que essas práticas proporcionam.


Conclusão

O jejum e a abstinência são práticas antigas, mas extremamente atuais. Quando vividos com fé e consciência, eles ajudam o cristão a crescer espiritualmente, fortalecer sua relação com Deus e viver a Quaresma de forma mais profunda.

Mais do que regras, a Igreja ensina que essas práticas são caminhos de conversão, que conduzem à renovação interior e à verdadeira vivência da Páscoa.

👉 Leia também: O que é a Quaresma na Igreja Católica